Dê as boas-vindas ao Ano Novo com o "Enxame do Champanhe", um enxame de galáxias visto aqui nesta nova imagem composta do Observatório de raios X Chandra da NASA e de telescópios óticos.
Os astrónomos descobriram este enxame de galáxias a 31 de dezembro de 2020. A data, combinada com a aparência de bolha das galáxias e o gás superaquecido visto nas observações do Chandra (representado a roxo), inspirou os cientistas a apelidarem o objeto de Enxame do Champanhe, um nome muito mais fácil de memorizar do que a sua designação oficial RM J130558.9+263048.4.
A nova imagem composta mostra que o Enxame do Champanhe é, na realidade, dois enxames de galáxias em processo de fusão para formar um enxame ainda maior. O gás superaquecido nos enxames de galáxias assume normalmente uma forma aproximadamente circular ou moderadamente oval nas imagens, mas no enxame do Champanhe está mais espalhado de cima para baixo, revelando a presença dos dois enxames em colisão. Dois aglomerados de galáxias individuais que constituem os enxames em colisão podem ser vistos na parte superior e inferior do centro (a imagem foi rodada 90 graus no sentido dos ponteiros do relógio, de modo que o norte aponta para a direita).
O gás ultraquente ultrapassa a massa combinada de todas as mais de cem galáxias individuais do enxame recém-formado. Os enxames também contêm quantidades ainda maiores de matéria escura invisível, a substância misteriosa que permeia o Universo.
Para além dos dados do Chandra, esta nova imagem contém dados óticos dos Legacy Surveys (vermelho, verde e azul), que consiste em três levantamentos individuais e complementares de vários telescópios no estado norte-americano do Arizona e no Chile.
O Enxame do Champanhe é membro de uma classe rara de enxames em fusão, que inclui o bem conhecido Enxame da Bala, onde o gás quente em cada enxame colidiu e abrandou, havendo uma separação clara entre o gás quente e a galáxia mais massiva em cada enxame.
Comparando os dados com simulações de computador, os astrónomos chegaram a duas possibilidades para a história do Enxame do Champanhe. Uma delas é que os dois enxames já colidiram um com o outro há mais de dois mil milhões de anos. Após a colisão, os dois viajaram para o exterior e depois foram puxados de volta um para o outro pela gravidade, dirigindo-se agora para uma segunda colisão. A outra ideia é que ocorreu uma única colisão há cerca de 400 milhões de anos e os dois enxames estão agora a afastar-se um do outro após essa colisão. Os investigadores pensam que estudos mais aprofundados do Enxame do Champanhe podem, potencialmente, ensinar-lhes como a matéria escura reage a uma colisão a alta velocidade.
O artigo científico que descreve estes resultados foi recentemente publicado na revista The Astrophysical Journal e está disponível online. Os autores do artigo científico são Faik Bouhrik, Rodrigo Stancioli e David Wittman, todos da Universidade da Califórnia em Davis.
// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
Quer saber mais?
Enxames galácticos:
Wikipedia
Matéria escura:
Wikipedia
Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia
Legacy Surveys:
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