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Hubble ajuda a determinar o período de rotação de Úrano com uma precisão sem precedentes
11 de abril de 2025
 

Estas imagens do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostram a aurora dinâmica de Úrano em outubro de 2022. Estas observações foram efetuadas pelo STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) e incluem dados no visível e no ultravioleta. Uma equipa internacional de astrónomos usou o Hubble para fazer novas medições do ritmo de rotação interior de Úrano, analisando mais de uma década de observações das auroras de Úrano. Este refinamento do período de rotação do planeta atingiu um nível de precisão 1000 vezes superior às estimativas anteriores e serve como um novo ponto de referência crucial para a futura investigação planetária.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, L. Lamy, L. Sromovsky
 
     
 
 
 

Uma equipa internacional de astrónomos, utilizando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, efetuou novas medições do ritmo de rotação interior de Úrano com uma técnica inovadora, atingindo um nível de precisão 1000 vezes superior ao das estimativas anteriores. Ao analisar mais de uma década de observações, pelo Hubble, das auroras de Úrano, os investigadores refinaram o período de rotação do planeta e estabeleceram um novo e crucial ponto de referência para a futura investigação planetária.

A determinação do ritmo de rotação interior de um planeta é um desafio, particularmente para um mundo como Úrano, onde não são possíveis medições diretas. Uma equipa liderada por Laurent Lamy (do LIRA, Observatório de Paris-PSL e LAM, Univ. Aix-Marseille, França), desenvolveu um método inovador para seguir o movimento de rotação das auroras de Úrano: espetaculares manifestações de luz geradas na atmosfera superior pelo fluxo de partículas energéticas perto dos polos magnéticos do planeta. Esta técnica revelou que Úrano realiza uma rotação completa em 17 horas, 14 minutos e 52 segundos - 28 segundos mais do que a estimativa obtida pela Voyager 2 da NASA durante o seu "flyby" em 1986.

"A nossa medição não só fornece uma referência essencial para a comunidade científica planetária, como também resolve um problema de longa data: os sistemas de coordenadas anteriores, baseados em períodos de rotação desatualizados, tornaram-se rapidamente imprecisos, impossibilitando a localização dos polos magnéticos de Úrano ao longo do tempo," explica Lamy. "Com este novo sistema de longitude, podemos agora comparar observações de auroras ao longo de quase 40 anos e até planear a próxima missão a Úrano".

Este avanço foi possível graças à monitorização de longo prazo de Úrano pelo Hubble. Durante mais de uma década, o Hubble observou regularmente as suas emissões aurorais ultravioletas, permitindo aos investigadores seguir a posição dos polos magnéticos com modelos de campos magnéticos.

"As observações contínuas do Hubble foram cruciais", diz Lamy. "Sem esta riqueza de dados, teria sido impossível detetar o sinal periódico com o nível de precisão que conseguimos".

Ao contrário das auroras da Terra, Júpiter ou Saturno, as auroras de Úrano comportam-se de uma forma única e imprevisível. Este facto deve-se ao campo magnético altamente inclinado do planeta, que está significativamente deslocado do seu eixo de rotação. As descobertas não só ajudam os astrónomos a compreender a magnetosfera de Úrano, como também fornecem informações vitais para futuras missões.

O "Planetary Science Decadal Survey" dos EUA deu prioridade ao conceito de uma sonda e orbitador para futuras explorações de Úrano.

Estas descobertas preparam o terreno para novos estudos que vão aprofundar a nossa compreensão de um dos planetas mais misteriosos do Sistema Solar. Com a sua capacidade de monitorizar corpos celestes ao longo de décadas, o Telescópio Espacial Hubble continua a ser uma ferramenta indispensável para a ciência planetária, abrindo caminho para a próxima era de exploração de Úrano.

// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Observatório de Paris (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

 


Quer saber mais?

Úrano:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
   
 
 
 
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