NOVO ESTUDO APONTA PROVÁVEL LAR DOS METEORITOS MARCIANOS 12 de novembro de 2021
O Dr. Anthony Lagain e a professora Gretchen Benedix, ambos da Universidade Curtin, Konstantinos Servis da CSIRO e o candidato a doutoramento John Fairweather da mesma universidade.
Crédito: Universidade Curtin
Investigadores da Universidade Curtin localizaram a provável origem de um grupo de meteoritos expelidos de Marte, usando um algoritmo de aprendizagem de máquina que analisa imagens planetárias de alta resolução.
A nova investigação, publicada na revista Nature Communications, identificou que estes meteoritos que pousaram na Terra provavelmente são originários da cratera Tooting de Marte, localizada na região Tharsis, que é a maior província vulcânica do Sistema Solar.
Ao longo dos últimos 20 milhões de anos, cerca de 166 rochas marcianas conhecidas pousaram na Terra. No entanto, as suas origens precisas eram desconhecidas.
O investigador principal, Dr. Anthony Lagain, do Centro de Ciência e Tecnologia Espacial da Escola de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade Curtin, na Austrália, disse que os novos achados ajudam a fornecer o contexto para desvendar a história geológica do Planeta Vermelho.
"Neste estudo, compilámos uma nova base de dados de 90 milhões de crateras de impacto usando um algoritmo de aprendizagem de máquina que nos permitiu determinar as potenciais posições de lançamento de meteoritos marcianos," disse o Dr. Lagain.
"Ao observar os campos de crateras secundárias - ou as pequenas crateras formadas pelo material ejetado da maior cratera formada recentemente no planeta, descobrimos que a cratera Tooting é a fonte mais provável destes meteoritos ejetados de Marte há 1,1 milhões de anos.
"Pela primeira vez, por meio desta investigação, está acessível o contexto geológico de um grupo de meteoritos marcianos, 10 anos antes da missão MSR (Mars Sample Return) da NASA enviar as amostras recolhidas pelo rover Perseverance que atualmente explora a cratera Jezero."
A professora Gretchen Benedix, coautora do estudo, também do Centro de Ciência e Tecnologia Espacial da Universidade Curtin, disse que o algoritmo que tornou isto possível foi um grande avanço em como os cientistas podem usar os terabytes de dados planetários disponíveis.
"Não teríamos sido capazes de reconhecer as crateras mais jovens em Marte sem contar as dezenas de milhões de crateras mais pequenas que um quilómetro de diâmetro", disse a professora Benedix.
"Esta descoberta implica que ocorreram erupções vulcânicas nesta região há 300 milhões de anos, o que é muito recente em termos de tempo geológico. Também fornece novas informações sobre a estrutura do planeta, por baixo desta província vulcânica."
O Dr. Lagain disse que a investigação ajudaria a criar um melhor entendimento da formação e evolução de Marte, bem como da Terra, potencialmente fornecendo benefícios para outros setores da indústria no nosso planeta.
"Mapear as crateras em Marte é o primeiro passo. O algoritmo que desenvolvemos pode ser retreinado para realizar o mapeamento digital automatizado de qualquer corpo celeste. Pode ser aplicado à Terra para ajudar na gestão agrícola, do meio ambiente e até mesmo de potenciais desastres naturais, como incêndios ou inundações," disse o Dr. lagain.
O algoritmo foi desenvolvido internamente por um grupo interdisciplinar que incluiu membros da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), do Instituto Curtin para Computação e da Escola de Engenharia Civil e Mecânica, com financiamento do Conselho de Investigação Australiano.
Usando o supercomputador mais rápido do hemisfério sul, o Centro de Supercomputação Pawsey e o HIVE (Hub for Immersive Visualisation and eResearch) de Curtin, os investigadores analisaram um volume muito grande de imagens planetárias de alta resolução por meio de um algoritmo de aprendizagem de máquina e assim detetar crateras de impacto.