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VIAGEM DE IDA E VOLTA ATÉ MARTE PODE SER SEGURA PARA UMA TRIPULAÇÃO (MEDIANTE CERTAS CONDIÇÕES)
31 de agosto de 2021

 


Uma equipa de cientistas determinou que a melhor altura para uma tripulação deixar a Terra e viajar até Marte seria quando a atividade solar estivesse no seu pico.
Crédito: ESA/NASA/SOHO

 

Enviar viajantes humanos até Marte exigiria que cientistas e engenheiros superassem uma série de obstáculos tecnológicos e de segurança. Um deles é o grave risco representado pela radiação de partículas do Sol, estrelas e galáxias distantes.

Responder a duas perguntas-chave ajudaria em muito a superar este obstáculo: será que a radiação de partículas representa uma ameaça demasiado grave para a vida humana durante uma viagem de ida e volta ao Planeta Vermelho? E poderia o próprio "timing" de uma missão a Marte ajudar a proteger os astronautas e a nave da radiação?

Num novo artigo científico publicado na revista Space Weather, uma equipa internacional de cientistas espaciais responde a estas duas perguntas com um "não" e um "sim".

Isto é, os humanos devem ser capazes de viajar em segurança para e de Marte, desde que a nave espacial tenha blindagem suficiente e a viagem de ida e volta seja mais curta do que aproximadamente quatro anos. E o "timing" de uma missão humana a Marte realmente faria a diferença: os cientistas determinaram que o melhor momento para um voo deixar a Terra seria quando a atividade solar estivesse no seu pico, conhecido como máximo solar.

Os cálculos dos cientistas demonstram que seria possível proteger uma nave espacial com destino Marte das partículas energéticas do Sol porque, durante o máximo solar, as partículas mais perigosas e energéticas de galáxias distantes são desviadas pela atividade solar intensificada.

Uma viagem deste tamanho seria concebível. Em média, ir até Marte leva cerca de nove meses, portanto, dependendo do "timing" do lançamento e do combustível disponível, é plausível que uma missão humana possa alcançar o planeta e regressar à Terra em menos de dois anos, segundo Yuri Shprits, geofísico da Universidade da Califórnia em Los Angeles e coautor do artigo científico.

"Este estudo mostra que embora a radiação espacial imponha limitações estritas sobre a massa da nave espacial e o momento do lançamento, e apresente dificuldades tecnológicas para missões humanas a Marte, tal missão é viável," disse Shprits, que também é chefe de física espacial e clima espacial no Centro de Investigação para Geociências GFZ em Potsdam, Alemanha.

Os investigadores recomendam uma missão de não mais de quatro anos porque uma viagem mais longa exporia os astronautas a uma quantidade perigosamente alta de radiação durante a viagem de ida e volta - mesmo supondo que partiram quando era relativamente mais seguro do que em outras ocasiões. Também relatam que o principal perigo para tal voo seriam as partículas oriundas do exterior do nosso Sistema Solar.

Shprits e colegas da UCLA, do MIT, do Instituto Skolkovo de Ciência e Tecnologia de Moscovo e do GFZ Potsdam combinaram modelos geofísicos de radiação de partículas para um ciclo solar com modelos de como a radiação afetaria uma tripulação humana - incluindo os seus vários efeitos variáveis em diferentes órgãos do corpo - e uma nave espacial. A modelagem determinou que ter uma cápsula de uma nave espacial construída com um material relativamente espesso pode ajudar a proteger os astronautas da radiação, mas se a blindagem for demasiado espessa, pode na verdade aumentar a quantidade de radiação secundária à qual estão expostos.

Os dois principais tipos de radiação perigosa no espaço são partículas energéticas solares e os raios cósmicos galácticos; a intensidade de cada um depende da atividade solar. A atividade galáctica dos raios cósmicos é mais baixa entre seis e doze meses após o pico da atividade solar, enquanto a intensidade das partículas energéticas solares é maior durante o máximo solar, disse Shprits.

 


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// UCLA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Space Weather)

Saiba mais

Clima espacial:
Wikipedia

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
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