PLANETA "PROIBIDO" ENCONTRADO NO "DESERTO NEPTUNIANO" 31 de maio de 2019
Impressão de artista do exoplaneta NGTS-4b, também conhecido como "O Planeta Proibido".
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick
Um exoplaneta mais pequeno que Neptuno, com a sua própria atmosfera, foi descoberto no chamado "Deserto Neptuniano" por uma colaboração internacional de astrónomos.
A instalação que descobriu este objeto é o NGTS (Next-Generation Transit Survey) do ESO, no coração do Deserto do Atacama, no Chile. É uma colaboração entre as universidades britânicas de Warwick, Leicester, Cambridge e da Queen's University em Belfast, juntamente com o Observatório de Genebra, DLR Berlin e Universidade do Chile.
NGTS-4b, também chamado "O Planeta Proibido" pelos cientistas, é um planeta mais pequeno que Neptuno, mas tem três vezes o tamanho da Terra e está a 920 anos-luz de distância.
Tem uma massa equivalente a 20 Terras e um raio 20% mais pequeno do que o de Neptuno, com uma temperatura que ronda os 1000 graus Celsius. Orbita a sua estrela em apenas 1,3 dias - o equivalente à órbita da Terra em torno do Sol de um ano.
É o primeiro exoplaneta do seu tipo encontrado no "Deserto Neptuniano".
O "Deserto Neptuniano" é a região próxima das estrelas onde não existem planetas do tamanho de Neptuno. Esta área recebe forte irradiação da estrela, o que significa que os planetas não retêm a sua atmosfera gasosa à medida que evaporam, deixando para trás apenas um núcleo rochoso. No entanto, NGTS-4b tem uma atmosfera.
Quando procuram exoplanetas, os astrónomos tentam avistar uma queda do brilho da estrela - é o planeta que, em órbita, passa em frente da estrela-mãe e bloqueia parte da sua luz. Normalmente, apenas quedas de 1% ou mais são captadas por investigações terrestres, mas os telescópios do NGTS podem captar quedas de apenas 0,2%.
Os investigadores pensam que o planeta pode entrado no Deserto Neptuniano recentemente, ao longo do último 1 milhão de anos, ou era muito grande e a atmosfera ainda está a evaporar.
O Dr. Richard West, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, comenta:
"Este planeta deve ser resistente - está bem na zona onde esperávamos que os planetas do tamanho de Neptuno não pudessem sobreviver. É realmente notável termos encontrado um planeta em trânsito através de uma diminuição do brilho estelar inferior a 0,2% - isto nunca tinha sido feito antes com telescópios no solo e é incrível encontrá-lo depois de trabalhar neste projeto durante um ano.
"Estamos agora a vasculhar os nossos dados para ver se podemos ver mais planetas no Deserto de Neptuno - talvez o deserto seja mais verde do que se pensava."