ASTROFÍSICOS DESCOBREM PLANETAS NOUTRA GALÁXIA
6 de fevereiro de 2018
A lente gravitacional galáctica RX J1131-1231com a galáxia da lente no centro e quatro quasares de fundo. Estima-se que existam biliões de planetas na galáxia elíptica central da imagem.
Crédito: Universidade de Oklahoma
Uma equipa de astrofísicos da Universidade de Oklahoma descobriu, pela primeira vez, uma população de planetas para lá da Via Láctea. Usando microlentes - um fenómeno astronómico e o único conhecido capaz de descobrir planetas a distâncias verdadeiramente enormes da Terra, entre outras técnicas de deteção - investigadores foram capazes de detetar objetos noutras galáxias que variam desde a massa da Lua até à massa de Júpiter.
Xinyu Dai, professor do Departamento Homer L. Dodge de Física e Astronomia, do Colégio de Artes e Ciências da Universidade de Oklahoma, juntamente com o investigador pós-doutorado Eduardo Guerras, fizeram a descoberta recorrendo a dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA, um telescópio espacial controlado pelo Observatório Astrofísico do Smithsonian.
"Estamos muito excitados com esta descoberta. Esta é a primeira vez que alguém descobriu planetas fora da nossa Galáxia," realça Dai. "Estes planetas pequenos são os melhores candidatos para a assinatura que observámos neste estudo usando a técnica de microlentes. Analisámos a alta frequência da assinatura modelando os dados para determinar a massa."
Apesar de descobrirmos regularmente planetas na nossa Via Láctea usando microlentes, o efeito gravitacional de até objetos pequenos pode criar uma alta ampliação, levando a uma assinatura que pode ser modelada e explicada noutras galáxias. Até este estudo, não havia evidências de planetas noutras galáxias.
"Este é um exemplo de quão poderosas podem ser as técnicas de análise de microlentes extragalácticas. Esta galáxia está localizada a 3,8 mil milhões de anos-luz de distância e não há a mínima hipótese de observar estes planetas diretamente, nem mesmo com o melhor telescópio que se possa imaginar num cenário de ficção científica," comenta Guerras. "No entanto, somos capazes de os estudar, revelar a sua presença e até ter uma ideia das suas massas. É uma forma muito emocionante de ciência."