SATURNO SURPREENDE À MEDIDA QUE A CASSINI CONTINUA O SEU "GRANDE FINAL"
25 de julho de 2017
Este mosaico combina imagens captadas pela Cassini enquanto fazia o seu primeiro mergulho do Grande Final de dia 26 de abril de 2017 e mostra detalhes em bandas e turbilhões na atmosfera.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI/Universidade Hampton
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À medida que a sonda Cassini da NASA faz a sua série sem precedentes de mergulhos semanais entre Saturno e os seus anéis, os cientistas estão a descobrir - até agora - que o campo magnético do planeta não tem uma inclinação discernível. Esta observação surpreendente, que significa que a verdadeira duração do dia de Saturno é ainda desconhecida, é apenas uma das várias informações fornecidas pela fase final da missão da Cassini, conhecida como Grande Final.
Outros destaques científicos recentes incluem pistas promissoras sobre a estrutura e composição dos anéis gelados, juntamente com imagens de alta-resolução dos anéis e da atmosfera de Saturno.
A Cassini encontra-se agora na 15.ª de 22 órbitas semanais que atravessam o espaço estreito entre Saturno e os seus anéis. A nave começou o seu Grande Final no dia 26 de abril e continuará os seus mergulhos até dia 15 de setembro, quando mergulhar na atmosfera de Saturno, assinalando o fim da missão.
"A Cassini está a comportar-se lindamente na última etapa da sua longa jornada," comenta Earl Maize, gestor do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "As suas observações continuam a surpreender e a deliciar enquanto 'esprememos' cada último pedaço de ciência que podemos."
Os cientistas da Cassini também estão emocionados - e em alguns casos surpreendidos - com as observações feitas pela sonda nesta fase final. "Os dados que vemos do Grande Final da Cassini são tão emocionantes quanto esperávamos, embora ainda estejamos no processo de discernir o que nos dizem sobre Saturno e sobre os seus anéis," afirma Linda Spilker, cientista do projeto Cassini no JPL.
Análise Prévia do Campo Magnético
Com base nos dados recolhidos pelo magnetómetro da Cassini, o campo magnético de Saturno parece estar surpreendentemente bem alinhado com o eixo de rotação do planeta. A inclinação é muito menor do que 0,06 graus - o limite mínimo que os dados do magnetómetro da sonda colocaram no valor anterior ao início do Grande Final.
Esta observação está em desacordo com a compreensão teórica dos cientistas de como os campos magnéticos são gerados. Pensamos que os campos magnéticos planetários exigem algum grau de inclinação para sustentar as correntes que fluem através do metal líquido nas profundezas interiores dos planetas (no caso de Saturno, pensa-se ser hidrogénio metálico líquido). Sem nenhuma inclinação, as correntes acabariam por diminuir e o campo magnético desapareceria.
Qualquer inclinação para o campo magnético tornaria observável a ondulação diária do interior profundo do planeta, revelando assim a verdadeira duração do dia de Saturno que, até agora, se tem mostrado elusivo.
"A inclinação parece ser muito menor do que a anteriormente estimada e bastante complexa de explicar," realça Michele Dougherty, líder da investigação do magnetómetro da Cassini no Imperial College, Londres. "Nós não temos conseguido discernir, até agora, a duração do dia em Saturno, mas ainda estamos a trabalhar nisto."
A falta de uma inclinação pode, eventualmente, ser corrigida com dados adicionais. Dougherty e a sua equipa acreditam que algum aspeto da atmosfera profunda do planeta pode estar a mascarar o verdadeiro campo magnético interno. A equipa vai continuar a recolher e a analisar dados durante o resto da missão, incluindo durante o mergulho final em Saturno.
Os dados do magnetómetro também serão avaliados em conjunto com as medições da Cassini do campo gravitacional de Saturno recolhidos durante o Grande Final. A análise precoce dos dados de gravidade, recolhidos até agora, mostra discrepâncias em comparação com partes dos principais modelos do interior de Saturno, sugerindo que algo inesperado acerca da estrutura do planeta aguarda descoberta.
"Provando" Saturno
Além da investigação do interior do planeta, a Cassini obteve agora as primeiras amostras da atmosfera do planeta e dos seus anéis principais, que prometem novas informações sobre a sua composição e estrutura. O instrumento CDA (Cosmic Dust Analyzer) da nave recolheu muitas partículas anulares de tamanho nanométrico enquanto voava pelo espaço entre o planeta e os anéis, enquanto o seu instrumento INMS (Ion and Neutral Mass Spectrometer) "cheirou" a atmosfera mais exterior, chamada exosfera.
Durante o primeiro mergulho da Cassini de dia 26 de abril, esta estava orientada de modo a que a sua antena parabólica pudesse agir como um escudo contra quaisquer partículas anulares que pudessem provocar danos. Embora ao início parecesse que o espaço entre o planeta e os anéis estava essencialmente limpo, os cientistas mais tarde determinaram que as partículas, aí, são muito pequenas e que podiam ser detetadas usando o instrumento CDA.
Posteriormente, foi permitido com que o CDA "espreitasse" por detrás da antena durante a terceira de quatro passagens através do anel principal mais interior de Saturno, o anel D, no dia 29 de junho. Durante as primeiras duas passagens da Cassini através do anel D, descobriu-se que o ambiente de partículas era benigno. Isto fez com que os controladores da missão relaxassem o requisito de blindagem para uma órbita, na esperança de capturar partículas anulares usando o CDA. À medida que a sonda passava pelo anel, o instrumento CDA capturou, com sucesso, algumas das partículas mais pequenas, que a equipa espera que forneçam informações importantes sobre a sua composição.
Durante as cinco órbitas finais da nave, bem como o seu mergulho final, o instrumento INMS captará amostras atmosféricas mais profundas. A Cassini vai "raspar" a atmosfera exterior durante estas passagens e espera-se que o INMS envie dados particularmente importantes sobre a composição atmosférica de Saturno durante o mergulho final.
Imagens surpreendentes
Para não ficarem para trás, as câmaras da Cassini têm trabalhado arduamente, transmitindo algumas das imagens de mais alta-resolução dos anéis e do planeta algumas vez obtidas. Por exemplo, ampliações do anel C de Saturno - que apresenta bandas brilhantes chamadas planaltos - revelam texturas surpreendentemente diferentes em secções vizinhas do anel. Os planaltos parecem ter uma textura irregular, ao passo que as regiões adjacentes parecem grumosas ou sem qualquer estrutura óbvia. Os cientistas que estudam os anéis pensam que o novo nível de detalhe poderá lançar luz sobre o porquê da existência dos planaltos e o que é aí diferente no que toca às partículas.
Em duas das passagens rasantes por Saturno, no dia 26 de abril e no dia 29 de junho, as câmaras da Cassini obtiveram vistas ultrapróximas da paisagem nublada, mostrando o planeta mais perto do que nunca. Os cientistas das imagens combinaram exposições destes mergulhos em dois novos mosaicos e numa animação (especificamente, a animação anteriormente divulgada de 26 de abril foi atualizada para melhorar drasticamente o seu contraste e nitidez).
Lançada em 1997, a Cassini orbita Saturno desde que aí chegou em 2004, estudando em detalhe o planeta, os seus anéis, as suas luas e a sua vasta magnetosfera. A Cassini fez inúmeras descobertas científicas, incluindo um oceano global com indicações de atividade hidrotermal no interior da lua Encélado, e mares de metano líquido noutra lua, Titã.
A Cassini capturou imagens no infravermelho próximo neste mosaico de dia 29 de junho de 2017, enquanto passava pelo espaço entre Saturno e os seus anéis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI/Universidade Hampton
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Esta imagem a cores falsas, pela sonda Cassini da NASA, observa os anéis para lá do horizonte iluminado de Saturno, onde pode ser vista uma fina neblina ao longo do limbo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
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