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PRIMEIRAS IMAGENS DE MARTE REVELAM POTENCIAL PARA A NOVA SONDA DA ESA
2 de dezembro de 2016

 


Ampliação da orla de uma grande cratera ainda sem nome a norte da cratera denominada Da Vinci, situada perto do equador marciano. Pode ser aqui vista, à esquerda da imagem, uma outra cratera mais pequena, com 1,4 km de diâmetro. A imagem tem uma escala de 7,2 m/pixel.
Foi captada no dia 22 de novembro de 2016 e foi uma das primeiras obtidas pelo instrumento CaSSIS (Colour and Stereo Surface Imaging System) a bordo da sonda ExoMars TGO. Foi captada como parte de uma campanha de oito dias com o objetivo de testar pela primeira vez os instrumentos científicos desde a chegada ao Planeta Vermelho de passado dia 19 de outubro.
Crédito: ESA/Roscosmos/ExoMars/CaSSIS/UniBE
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A nova sonda ExoMars da ESA testou a sua série de instrumentos em órbita pela primeira vez, sugerindo um grande potencial para futuras observações.

A TGO (Trace Gas Orbiter), um esforço conjunto entre a ESA e Roscosmos, chegou a Marte a 19 de outubro. A sua órbita elíptica leva-a de 230-310 km acima da superfície para cerca de 98.000 km a cada 4,2 dias.

Passou as duas últimas órbitas, entre 20-28 de novembro, a testar os seus quatro instrumentos científicos pela primeira vez desde a chegada, e a fazer importantes medições de calibração.

Os dados da primeira órbita foram disponibilizados para esta publicação para ilustrar a gama de observações esperadas assim que a sonda chegue à sua órbita quase circular de 400 km de altitude no final do próximo ano.

O objetivo principal da TGO é fazer um inventário detalhado de gases raros que compõem menos de 1% do volume da atmosfera, incluindo metano, vapor de água, dióxido de azoto e acetileno.

De grande interesse é o metano, que na Terra é produzido principalmente pela atividade biológica e, em menor extensão, por processos geológicos, como algumas reações hidrotermais.

Os dois instrumentos encarregados deste papel já demonstraram que podem precisar espectros altamente sensíveis da atmosfera. Durante as observações-teste da semana passada, a "Atmospheric Chemistry Suite" focou-se no dióxido de carbono, que compõe um grande volume da atmosfera do planeta, enquanto o instrumento "Nadir and Occultation da Mars Discovery" mantiveram-se na água.

Também coordenaram observações com a Mars Express da ESA e a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, como farão no futuro.

Medições complementares pelo detetor de neutrões da sonda, FREND, medirão o fluxo de neutrões da superfície do planeta. Criado pelo impacto dos raios cósmicos, a forma como são emitidos e a sua velocidade ao chegar ao TGO aponta para a composição da camada superficial, em particular para a água ou o gelo logo abaixo da superfície.

O instrumento foi ativado em várias ocasiões durante a viagem a Marte e em ocasiões recentes, ao voar perto da superfície, foi capaz de identificar a diferença relativa entre as regiões conhecidas de mais alto e mais baixo fluxo de neutrões, embora levará vários meses para produzir resultados estatisticamente significativos.

Da mesma forma, o instrumento mostrou um claro aumento na deteção de neutrões quando perto de Marte em comparação quando se encontrava mais longe.

Também foram demonstradas as diferentes capacidades do Sistema de Imagem em Superfície Estéreo e Cor, com 11 imagens capturadas durante a primeira aproximação a 22 de novembro.

Na abordagem mais próxima, a nave espacial encontrava-se a 235 quilómetros da superfície, e voou sobre a região de Hebes Chasma, a norte do sistema do desfiladeiro de Valles Marineris. Estas são algumas das imagens mais próximas que jamais serão obtidas do planeta pela TGO, dado que a órbita final da sonda estará a cerca de 400 km de altitude.

A equipa de câmara também completou um primeiro teste rápido para produzir uma reconstrução 3D de uma região em Noctis Labyrinthus, a partir de um par de imagens estéreo.

Embora as imagens sejam impressionantemente nítidas, os dados recolhidos durante este período de teste ajudarão a melhorar o programa informático a bordo da câmara, bem como a qualidade das imagens após o processamento.

"Estamos extremamente felizes e orgulhosos por ver que todos os instrumentos estão a funcionar tão bem no ambiente de Marte, e esta primeira impressão dá uma antevisão fantástica do que está por vir quando começarmos a recolher os verdadeiros dados no final do próximo ano", diz Håkan Svedhem, cientista do projeto TGO da ESA.

"Não só a sonda está claramente a funcionar bem, mas estou encantado de ver as várias equipas a trabalhar em conjunto tão eficazmente, a fim de nos dar essa perceção impressionante.

"Identificámos áreas que podem ser ajustadas bem antes da missão científica principal, e estamos ansiosos para ver o que esta surpreendente órbita científica fará no futuro."

 


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Uma faixa com 25 km ao longo de uma estrutura denominada Arsia Chasmata, situada no flanco do grande vulcão Arsia Mons. A formação tem origem vulcânica e podem ser vistas muitas fendas, possivelmente provocadas por subsidência.
A imagem foi captada no dia 22 de novembro de 2016 e é uma das primeiras obtidas pelo instrumento CaSSIS (Colour and Stereo Surface Imaging System) a bordo da sonda ExoMars TGO. Foi captada como parte de uma campanha de oito dias com o objetivo de testar pela primeira vez os instrumentos científicos desde a chegada ao Planeta Vermelho de passado dia 19 de outubro.
Crédito: ESA/Roscosmos/ExoMars/CaSSIS/UniBE; mosaico: Autostitch (Universidade de Columbia Britânica)
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O instrumento NOMAD (Nadir and Occultation for Mars Discovery) a bordo da ExoMars TGO fez medições da atmosfera marciana no dia 22 de novembro de 2016 usando duas técnicas: observando a luz solar refletida da superfície do planeta, e observando luz solar no horizonte, espalhada pela atmosfera.
Topo: exemplo de um espectro que identifica vapor de água atmosférico. Usando informações como esta, os cientistas vão ser capazes de medir a composição, abundância e localização da água e de outras moléculas, incluindo o metano, para compreender mais sobre os processos que ocorrem na atmosfera e à superfície.
Baixo: o primeiro espectro de Marte pelo NOMAD a comprimentos de onda ultravioletas e visíveis, que mostra o espectro solar e absorções atmosféricas. A presença das características solares legendadas (Ca+, Ca/Fe e H-beta) demonstram que o canal do instrumento está a funcionar bem. Ao calibrar o canal, os cientistas serão capazes de remover o espectro solar, permitindo a identificação de características relacionadas com a composição da atmosfera e o ambiente de radiação à superfície.
Os dados foram recolhidos durante uma campanha de oito dias com o objetivo de testar pela primeira vez os instrumentos científicos desde a chegada ao Planeta Vermelho de passado dia 19 de outubro.
Crédito: ESA/Roscosmos/ExoMars/NOMAD/BISA/IAA/INAF/OU
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O ACS (Atmospheric Chemistry Suite) da sonda ExoMars TGO fez medições da atmosfera marciana no dia 22 de novembro de 2016 a comprimentos de onda infravermelhos. Estas medições vão fornecer informações sobre a poeira e partículas gelaldas, perfis de temperatura e concentração de gases. A inserção amplia parte do gráfico com uma característica do dióxido de carbono na estrutura atmosférica, que será útil no estudo da estrutura termal da atmosfera.
Os dados foram recolhidos durante uma campanha de oito dias com o objetivo de testar pela primeira vez os instrumentos científicos desde a chegada ao Planeta Vermelho de passado dia 19 de outubro.
Crédito: ESA/Roscosmos/ExoMars/ACS/IKI
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A primeira reconstrução estéreo de uma pequena área numa região chamada Noctis Labyrinthus. A imagem fornece um mapa de altitude da região com uma resolução inferior a 20 m.
As imagens usadas para fazer o perfil tridimensional foram obtidas dia 22 de novembro de 2016 e estão entre as primeiras obtidas pelo instrumento CaSSIS (Colour and Stereo Surface Imaging System) a bordo da sonda ExoMars TGO. Foram captadas como parte de uma campanha de oito dias com o objetivo de testar pela primeira vez os instrumentos científicos desde a chegada ao Planeta Vermelho de passado dia 19 de outubro.
Crédito: ESA/Roscosmos/ExoMars/CaSSIS/UniBE
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Exemplo de dados recolhidos pelo instrumento FREND (Fine Resolution Epithermal Neutron Detector) da sonda ExoMars TGO, que mostram o fluxo de neutrões velozes medidos pelo instrumento. O gráfico mostra uma média de todas as medições em redor da maior aproximação ao planeta durante seis órbitas recentes. O resultado mostra uma demonstração simples da existência de um claro aumento na contagem quando mais perto de Marte, em comparação com distâncias maiores.
Crédito: ESA/Roscosmos/ExoMars/FREND/IKI
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Links:

Cobertura da missão ExoMars 2016 pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
25/11/2016 - Investigação do que aconteceu ao Schiaparelli faz progressos
22/11/2016 - Nova sonda ESA prepara-se para a primeira ciência
08/11/2016 - Local da colisão do Schiaparelli a cores
01/11/2016 - Imagens detalhadas do Schiaparelli e da sua maquinaria de descida em Marte
25/10/2016 - MRO observa local de atereragem do Schiaparelli
21/10/2016 - ExoMars 2016 - TGO em órbita de Marte; destino do Schiaparelli ainda por apurar
18/10/2016 - ExoMars preparada para o Planeta Vermelho
14/10/2016 - O que esperar da câmara do módulo Schiaparelli
07/10/2016 - Os perigos de aterrar em Marte
15/03/2016 - Missão ExoMars parte para Marte
08/03/2016 - Sonda ExoMars com lançamento previsto

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
Astronomy Now
redOrbit
PHYSORG
engadget
Gizmodo
Forbes
euronews
BBC News

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
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