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EVIDÊNCIAS DE ANTIGOS TSUNAMIS EM MARTE REVELAM POTENCIAL PARA A VIDA
24 de maio de 2016

 


A região Valle Marineris em Marte, onde Alberto Fairén e outros astrónomos examinaram linhas costeiras afetadas por tsunamis criados por impactos de meteoritos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

 

A forma geológica do que já foram linhas costeiras nas planícies norte de Marte convence os cientistas de que dois grandes meteoritos - que atingiram o planeta com milhões de anos de diferença - desencadearam um par de mega-tsunamis. Estas ondas gigantescas marcaram para sempre a paisagem marciana e produziram evidências de oceanos frios e salgados, conducentes à manutenção da vida.

"Há cerca de 3,4 mil milhões de anos, um grande impacto de meteorito despoletou a primeira onda de tsunami. Esta onda era composta por água líquida. Formou canais generalizados que transportaram a água de volta para o oceano," afirma Alberto Fairén, cientista visitante de Cornell e investigador principal do Centro de Astrobiologia de Madrid.

Fairén, o autor principal Alexis Rodriguez do Instituto de Ciência Planetária e outros 12 cientistas, publicaram o seu trabalho na Scientific Reports de 19 de maio, uma publicação da revista Nature.

Os cientistas descobriram evidências de outro grande impacto de meteorito, que desencadeou uma segunda onda de tsunami. Nos milhões de anos entre os dois impactos e os seus mega-tsunamis associados, Marte passou por uma fria mudança climática, a água transformou-se em gelo. Fairén disse: "O nível do mar recuou desde a sua linha costeira original para formar uma segunda linha costeira, porque o clima tornou-se significativamente mais frio."

O segundo tsunami formou lóbulos arredondados de gelo. "Estes lóbulos congelaram no solo à medida que atingiam o seu ponto máximo de extensão e o gelo nunca mais voltou para o oceano - o que implica que o oceano estava, pelo menos, parcialmente congelado na altura," explica. "O nosso estudo fornece evidências bastante sólidas para a existência de oceanos muito frios no passado de Marte. É muito difícil imaginar praias californianas no passado de Marte, mas tente imaginar os Grandes Lagos num inverno particularmente frio e longo; essa poderá ser uma imagem mais exata da água que formava mares e oceanos."

Estes lóbulos gelados mantiveram as suas fronteiras bem definidas e as suas formas relacionadas com o fluxo, comenta Fairén, sugerindo que o antigo oceano gelado era salgado. "As águas salgadas e frias podem oferecer refúgio a vida em ambientes extremos, pois os sais ajudam a manter a água líquida... se a vida já existiu em Marte, estes lóbulos gelados do tsunami são excelentes candidatos para a procura de bioassinaturas," conclui.

 


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Marte:
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