MISSÃO DEEP IMPACT CHEGA AO FIM
24 de Setembro de 2013
Depois de quase nove anos no espaço, que contou também com um impacto sem precedentes e posterior "flyby" por um cometa, seguido de uma passagem cometária adicional, e o envio de cerca de 500 mil imagens de objectos celestes, a missão Deep Impact da NASA terminou.
A equipa do projecto no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia, relutantemente pronunciou a missão como terminada após ter sido incapaz de comunicar com a nave espacial durante mais de um mês. A última comunicação com a sonda teve lugar dia 8 de Agosto. A Deep Impact é a missão de investigação cometária mais viajada da história, percorrendo cerca de 7,58 mil milhões de quilómetros.
"A Deep Impact foi uma fantástica e duradoura sonda, que produziu bem mais dados do que estávamos à espera," afirma Mike A'Hearn, investigador principal da Deep Impact na Universidade de Maryland em College Park. "Revolucionou o nosso conhecimento dos cometas e suas actividades."
A Deep Impact concluiu com sucesso a sua ousada missão original de seis meses em 2005, quando investigou tanto a superfície como a composição interior de um cometa. A posterior missão prolongada levou-a a passar por outro cometa e a fazer observações de planetas em torno de outras estrelas entre Julho de 2007 e Dezembro de 2010. Desde aí, a nave espacial tem sido continuamente usada como um observatório planetário espacial para capturar imagens e outros dados científicos de vários alvos de oportunidade com os seus telescópios e instrumentos.
Lançada em Janeiro de 2005, a sonda viajou 431 milhões de quilómetros até às proximidades do cometa Tempel 1. A 3 de Julho de 2005, lançou um objecto impactante que essencialmente foi "atropelado" pelo núcleo do cometa no dia 4 de Julho. O impacto provocou a ejecção de material da superfície do cometa para o espaço, onde foi examinado pelos telescópios e instrumentos da sonda transeunte. Dezasseis dias depois do encontro, a equipa da Deep Impact colocou a sonda numa trajectória que a fez passar pela Terra no final de Dezembro de 2007 e a colocou a caminho de outro cometa, o Hartley 2, em Novembro de 2010.
"Seis meses após o lançamento, esta nave espacial já havia completado a sua missão planeada de estudar o cometa Tempel 1," afirma Tim Larson, gestor do projecto Deep Impact no JPL. "Mas a equipa científica continuava a encontrar coisas interessantes para fazer, e através da sua criatividade e com o suporte do Programa Discovery da NASA, a Deep Impact manteve-se activa por mais de 8 anos, produzindo resultados surpreendentes ao longo do caminho."
A missão estendida da nave culminou no sucesso da passagem rasante pelo cometa Hartley 2 a 4 de Novembro de 2010. Ao longo do caminho, também observou seis estrelas diferentes para confirmar o movimento de planetas em órbita, e capturou imagens e dados da Terra, da Lua e de Marte. Estes dados ajduaram a confirmar a existência de água na Lua, e tentaram confirmar a assinatura do metano na atmosfera de Marte. Uma das suas sequências de imagens mostra uma deslumbrante passagem da Lua sobre a face da Terra.
Em Janeiro de 2012, a Deep Impact capturou imagens e estudou a composição do distante cometa C/2009 P1 (Garradd). Obteve imagens do cometa ISON este ano e recolheu novas imagens deste mesmo objecto em Junho.
Após perder contacto com a sonda no mês passado, os controladores da missão passaram várias semanas a tentar enviar comandos para reactivar os seus sistemas de bordo. Embora a causa exacta da perda não seja conhecida, a análise revelou um potencial problema com a marcação de tempo do computador que poderá ter levado à perda de controlo da orientação da Deep Impact. Isto afectaria então a posição das suas antenas de rádio, tornando a comunicação difícil, bem como a orientação dos seus painéis solares, que por sua vez impediriam a sonda de receber energia e permitiriam com que as frias temperaturas do espaço arruinassem os equipamentos de bordo, essencialmente congelando os seus sistemas de propulsão e baterias.
"Apesar deste inesperado desfecho, a Deep Impact alcançou muito mais do que alguma vez imaginámos ser possível," afirma Lindley Johnson, executivo do Programa Discovery na sede da NASA, também executivo da missão. "A Deep Impact virou completamente o que pensávamos que sabíamos sobre cometas e também forneceu um tesouro de dados planetários adicionais que serão fonte de investigação para os próximos anos."
Ilustração da sonda Deep Impact.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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Imagem do Cometa Tempel 1 tirada 67 segundos de ter obliterado a sonda Impactor da Deep Impact. A imagem revela características topográficas e possivelmente crateras impacto há muito tempo formadas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD
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Trânsito lunar da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech