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HUBBLE DESCOBRE FONTE DA CORRENTE DE MAGALHÃES
13 de Agosto de 2013

 

Astrónomos usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA resolveram o mistério com 40 anos da origem da Corrente de Magalhães, uma longa faixa de gás que se estende quase até ao outro lado da Via Láctea. Novas observações do Hubble revelam que a maioria deste fluxo foi extraído da Pequena Nuvem de Magalhães há cerca de dois mil milhões de anos, com uma parcela menor e mais recente originária da sua vizinha maior.

As Nuvens de Magalhães, duas galáxias anãs que orbitam a nossa Galáxia, estão à cabeça de um grande filamento gasoso conhecido como Corrente de Magalhães. Desde a descoberta desta corrente no início da década de 1970, que os astrónomos se perguntam se este gás vem de uma ou de ambas as galáxias-satélite. Agora, novas observações do Hubble mostram que a maioria do gás foi retirado da Pequena Nuvem de Magalhães há cerca de dois mil milhões de anos - mas, surpreendentemente, a segunda região da faixa foi formada mais recentemente a partir da Grande Nuvem de Magalhães.

Uma equipa de astrónomos determinou a fonte do filamento de gás usando o espectrógrafo COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, juntamente com observações do VLT (Very Large Telescope) do ESO, para medir as abundâncias de elementos pesados, tais como o oxigénio e enxofre, em seis locais ao longo da Corrente de Magalhães. O COS detectou estes elementos graças ao modo como absorvem luz ultravioleta libertada por quasares distantes, à medida que passa pela Corrente no plano da frente. Os quasares são núcleos brilhantes de galáxias activas.

A equipa descobriu baixas abundâncias de oxigénio e enxofre ao longo da maioria da Corrente, que coincidem com os níveis na Pequena Nuvem de Magalhães há cerca de dois mil milhões de anos atrás, quando se pensa que a faixa gasosa foi formada.

Numa reviravolta surpreendente, a equipa descobriu um nível muito mais elevado de enxofre numa região mais próxima das Nuvens de Magalhães. "Nós vamos encontrando uma quantidade consistente de elementos pesados na Corrente até que chegamos muito perto das Nuvens de Magalhães, e aí os níveis de elementos pesados sobem," afirma Andrew Fox, membro da equipa apoiada pelo Space Telescope Institute da ESA nos EUA, e autor principal de um de dois novos artigos que relatam estes resultados. "Esta região interior é muito semelhante em composição com a Grande Nuvem de Magalhães, sugerindo que foi arrancada dessa galáxia mais recentemente."

Esta descoberta foi inesperada; os modelos de computador da Corrente previram que o gás veio completamente da Pequena Nuvem de Magalhães, que tem uma força gravitacional mais fraca do que a sua irmã mais massiva.

"Dado que a atmosfera da Terra absorve a radiação ultravioleta, é difícil medir estes elementos com precisão, e precisamos de observar na parte ultravioleta do espectro para os ver," afirma Philipp Richter da Universidade de Potsdam, Alemanha, autor principal do segundo artigo científico. "Por isso temos que ir para o espaço. Só o Hubble é capaz de fazer medições como estas."

Todas as galáxias-satélite da Via Láctea perderam a maior parte do seu conteúdo gasoso - à excepção das Nuvens de Magalhães. Como têm mais massa do que as outras galáxias-satélite, podem agarrar esse gás, usando-o para formar novas estrelas. No entanto, estas nuvens estão aproximando-se da Via Láctea e do seu halo de gás quente. À medida que derivam para mais perto de nós, a pressão deste halo quente empurra o gás para o espaço. Este processo, juntamente com os puxos gravitacionais entre as duas Nuvens de Magalhães, pensa-se que tenha formado a Corrente de Magalhães.

"A exploração da origem deste grande fluxo de gás, tão perto da Via Láctea, é importante," acrescenta Fox. "Sabemos agora que as nossas famosas vizinhas, as Nuvens de Magalhães, criaram esta faixa gasosa, que podem eventualmente cair sobre a nossa própria Via Láctea e desencadear nova formação estelar. É um passo importante para se descobrir como as galáxias obtêm gás e formam novas estrelas."

Links:

Notícias relacionadas:
Hubble - ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico - 2 (formato PDF)
PHYSORG
SPACE.com
UPI.com
ars technica
AstroPT

Nuvens de Magalhães:
Pequena Nuvem de Magalhães (Wikipedia)
Grande Nuvem de Magalhães (Wikipedia)

Corrente de Magalhães:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia


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Esta imagem mostra uma longa faixa de gás com o nome de Corrente de Magalhães, que se prolonga até quase ao outro lado da via Láctea.
Crédito: David L. Nidever, et al., NRAO/AUI/NSF e Mellinger, Leiden/Argentine/Estudo Bonn, Observatório Parkes, Observatório Westerbork e Observatório Arecibo
(clique na imagem para ver versão maior)


Estas imagens mostram a longa faixa de gás chamada Corrente de Magalhães, que se prolonga quase até ao outro lado da Via Láctea.Na imagem visível e no rádio no topo, a corrente gasosa é vista em tons cor-de-rosa. As observações no rádio foram combinadas com o panorama no visível. A Via Láctea é a banda em tons de azul-claro no centro da imagem. Os aglomerados castanhos são nuvens de poeira interestelar na nossa Galáxia. As Nuvens de Magalhães, galáxias-satélite da Via Láctea, são as regiões esbranquiçadas em baixo e à direita.
A imagem em baixo, obtida no rádio, é uma ampliação da Corrente de Magalhães. Os investigadores determinaram a química dos filamentos de gás usando o espectrógrafo COS do Hubble para medir a quantidade de elementos pesados, como o oxigénio e enxofre, em seis locais (marcados com um "X") da Corrente de Magalhães. O instrumento COS observou luz de quasares distantes que passou pela Corrente, e detectou as impressões digitais espectrais destes elementos a partir do modo como absorvem radiação ultravioleta.
Crédito: rádio/visível: David L. Nidever, et al., NRAO/AUI/NSF e Mellinger, Estudo LAB, Observatório Parkes, Observatório Westerbork e Observatório Arecibo; rádio: Estudo LAB
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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