O corpo vulcânico mais activo do Sistema Solar acaba de receber uma sentença de morte. Um novo estudo, que analisou mais de 100 anos de observações, sugere que a lua de Júpiter, Io, cuja superfície está recheada de vulcões activos, tornar-se-á um dia dormente.
Io, que tem aproximadamente o mesmo tamanho que a Lua e, dos grandes satélites de Júpiter, é o seu mais próximo, está coberto por fluxos de lava e dúzias de vulcões activos.
Esta actividade frenética deriva do facto da lua viajar num percurso elongado em torno de Júpiter, e por isso sente a gravidade do planeta gigante a diferentes forças ao longo da sua órbita. Esta variação no puxo faz com que o seu corpo se deforme, produzindo bojos que se movem pela superfície, para cima e para baixo, bojos estes que atingem uns estimados 10 metros por órbita. Isto gera calor que alimenta o vulcanismo da lua.
Mas de acordo com um estudo liderado por valéry Lainey do Observatório de Paris, França, não será sempre assim.
Se Io fosse o único satélite de Júpiter, a intensa gravidade do planeta eventualmente tornaria a órbita da vizinha lua numa órbita circular.
A razão de viajar numa órbita elíptica é explicada por interações gravíticas especiais com as suas maiores irmãs, Europa e Ganimedes. Para cada órbita que Ganimedes completa, Europa faz duas e Io quatro - um tipo de relação gravitacional denominada ressonância de Laplace.
Mas Lainey e seus colegas descobriram que as luas estão, de facto, quebrando desta ressonância - Europa e Ganimedes estão gradualmente a afastar-se de Júpiter, enquanto Io se aproxima do planeta.
A equipa chegou a estas conclusões após levar a cabo cálculos numéricos do movimento orbital de Io e após entrar em conta com observações de Io, Europa e Ganimedes obtidas entre 1891 e 2007.
Embora actuem diferentes forças gravitacionais em Io, algumas empurrando-o para Júpiter e outras na direcção contrária, o novo estudo sugere que as forças interiores ganham esta disputa.
A rotação de Io aumenta gradualmente à custa da sua velocidade orbital. Quando está mais próximo de Júpiter, os puxos gravitacionais do lado de Io na direcção de Júpiter fazem com que a lua rode mais depressa. "Io perde energia orbital, o seu período orbital diminui, e aproxima-se de Júpiter," explica Gerald Schubert da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (EUA), num comentário que acompanha o estudo.
"Já se tentou fazer estes cálculos no passado, mas com resultados resultados pobremente forçados - e muitas vezes contraditórios -, provavelmente provocados por aproximações feitas nos seus modelos dinâmicos orbitais," escreve Schubert.
Não se sabe com certeza quando as luas vão libertar-se da sua ressonância. "Se isto ocorrer numa curta escala de tempo, digamos [100 milhões] de anos ou menos, então tivémos sorte em observar Io em todo o seu esplendor vulcânico, porque o cessar da sua actividade vulcânica será o destino de Io quando a ressonância se quebrar," escreve Schubert.
Outras luas no Sistema Solar podem já ter atravessado um processo similar. A maior lua de Neptuno, Tritão, contém pequenos geysers - "como um meteorito que fez uma cratera na superfície e libertou gases aí presos," afirma Schubert.
Mas o seu vulcanismo poderá ter sido mais dramático se a sua órbita sofreu mais deste aquecimento devido às forças das marés: "é possível que a lua tivesse sido mais activa no passado."
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Observatório de Paris (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico 2 (formato PDF)
Nature (requer subscrição)
Universe Today
Io:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia |