Cientistas espaciais europeus estão mais perto de desvendar a origem da maior lua de Marte, Phobos. Graças a uma série de encontros com a sonda Mars Express da ESA, a lua parece ser quase de certeza um 'amontoado de entulho', ao invés de um único objecto sólido. No entanto, ainda permanecem alguns mistérios sobre a origem deste entulho.
Ao contrário da Terra, com a sua única grande lua, Marte é o anfitrião de duas pequenas luas. A maior é Phobos, um bocado irregular de rocha espacial com apenas 27 km x 22 km x 19 km.
Durante o Verão, a Mars Express fez uma série de voos rasante por Phobos. Capturou imagens em quase todas estas aproximações com a câmara HRSC (High Resolution Stereo Camera). Uma equipa liderada por Gerhard Neukum, da Universidade de Berlim, também envolvendo cientistas do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), está agora usando estes e outros dados recolhidos anteriormente para construir um modelo tridimensional mais exacto de Phobos, para que o seu volume seja determinado com mais precisão.
Além do mais, durante um dos mais próximos "fly-bys", o instrumento MaRS (Mars Express Radio Science), conduzido pela equipa liderada por Martin Pätzold, do Rheinisches Institut fuer Umweltforschung da Universidade de Cologne, estudou cuidadosamente os sinais de rádio da sonda. A equipa registou as mudanças em frequência provocadas pela gravidade de Phobos sobre a Mars Express. Estes dados estão a ser usados por Tom Andert, da Universität der Bundeswehr Muenchen e Pascal Rosenblatt, do Observatório Real da Bélgica, ambos membros da equipa do MaRS, para calcular a massa precisa da lua marciana.
Ao juntar os dados da massa e do volume, as equipas serão capazes de calcular a densidade. Eventualmente, esta será uma nova e importante pista de como a lua se formou.
Anteriormente, estudos de rádio da missão soviética Phobos 88 e de sondas em órbita de Marte ao longo de décadas passadas tinham já providenciado uma massa exacta. "Podemos hoje ser dez vezes mais precisos nas nossas medições," diz Rosenblatt. A actual massa estimada da equipa para Phobos é 1,072x10^16 kg.
Os cálculos preliminares da densidade sugerem que é de apenas 1,85 gramas por centímetro cúbico. Este número é menor que a densidade das rochas à superfície de Marte, que está entre os 2,7 e os 3,3 gramas por centímetro cúbico, mas muito semelhante à de alguns asteróides.
A classe particular de asteróides que partilham a densidade de Phobos é conhecida como classe-D. Acredita-se que sejam corpos altamente fracturados que contêm cavernas gigantes porque não são sólidos. Pelo contrário, são uma concentração de bocados, mantidos juntos pela gravidade. Os cientistas chamam-lhes de amontoados de entulho.
Mais, dados espectroscópicos da Mars Express e de sondas mais antigas mostram que Phobos tem uma composição semelhante a esses asteróides. Isto sugere que Phobos, e provavelmente o seu irmão mais pequeno Deimos, são asteróides capturados. No entanto, uma observação permanece difícil de explicar neste cenário.
Normalmente, os asteróides capturados são injectados em órbitas aleatórias em torno do planeta que os enrolam gravitacionalmente, mas Phobos orbita por cima do equador de Marte - um caso muito específico. Os cientistas não compreendem ainda como é que isto aconteceu.
Noutro cenário, Phobos pode ter sido constituído por rochas marcianas que foram expelidas para o espaço durante um impacto de um grande meteorito. Esses bocados não caíram completamente, criando assim o amontoado de entulho.
Por isso a questão mantém-se, de onde é que veio o material original - da superfície de Marte ou da cintura de asteróides? O radar MARSIS a bordo da Mars Express também recolheu dados históricos sobre a subsuperfície de Phobos. Estes dados, em conjunto com aqueles da superfície e da vizinhança da lua, recolhidos por outros instrumentos da sonda, irão também ajudar a restringir a sua origem. É claro que toda a verdade será apenas conhecida quando amostras forem trazidas para a Terra para análise em laboratórios.
Esta excitante possibilidade pode em breve tornar-se realidade porque os russos tentarão alcançar este feito com a sua missão Phobos-Grunt, com lançamento previsto para o próximo ano. Para aterrar em Phobos, precisarão de conhecimentos precisos da massa, medida pelo instrumento MaRS, de modo a navegar correctamente, e também estão a fazer uso das imagens da HRSC para seleccionar o local de aterragem.
Links:
Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
PHYSORG.com
Mars Express:
Página oficial da ESA
Wikipedia
Phobos:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia |
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A lua de Marte, Phobos.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)
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Modelo 3D de Phobos, com texturas baseadas em imagens reais.
Crédito: ESA/DLR (K. Willner)/FU Berlin (G. Neukum)
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Órbita da Mars Express desviada por Phobos.
Crédito: Equipa do MaRS/Observatório Real da Bélgica
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Espectacular aproximação de Phobos.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlim (G. Neukum)
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Foto-mosaico de Phobos em super-resolução.
Crédito: ESA/DLR (S. Semm, M. Wählisch, K. Willner)/FU Berlim (G. Neukum)
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Primeira imagem a cores de Phobos, pelo HRSC.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlim (G. Neukum)

Zoom do HRSC nos possíveis locais de aterragem da missão Phobos-Grunt.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlim (G. Neukum)
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