Acrescentemos ainda outra classe de objectos à crescente colecção do Sistema Solar - o primeiro visitante conhecido da parte interior da nuvem de Oort. Muitos cometas vêm da parte exterior da nuvem de Oort, uma concha de corpos gelados que rodeiam o Sistema Solar.
O objecto, que se pensa medir entre 50 e 100 km de diâmetro, foi descoberto pela primeira vez há dois anos atrás numa pesquisa por supernovas ténues (pode vê-lo mover-se contra o pano de fundo das estrelas aqui). Com o nome de 2006 SQ372, viaja numa órbita extremamente elongada com a duração de 22.500 anos.
Na sua maior aproximação (periélio), alcança as 24 unidades astronómicas do Sol (1 UA é a distância entre a Terra e o Sol), enquanto que no afélio aventura-se a uma distância de 1600 UA. Os únicos objectos conhecidos que vão mais longe são os cometas de longo-período, que vêm da nuvem de Oort, uma concha de corpos gelados que se situa entre as 20.000 e 200.000 UA do Sol.
Para traçar a origem deste objecto estranho, Andy Becker e Nathan Kaib da Universidade de Washington em Seattle, modelaram cenários diferentes para a sua órbita num computador. Descobriram que uma região a não mais que 20.000 UA do Sol "é o único local no Sistema Solar que pode produzir estas órbitas eficientemente," disse Kaib. Os teóricos tinham previsto a existência de tal nuvem de Oort "interior", mas o novo objecto - essencialmente um cometa gigante - providencia a sua primeira prova observacional.
O facto de 2006 SQ372 provavelmente ser oriundo da nuvem de Oort interior significa que nunca irá iluminar o nosso céu nocturno num glorioso espectáculo cometário, tal como os objectos tradicionais da nuvem de Oort. Isto é devido ao puxo da gravidade do Sol ser ainda relativamente forte na parte interior da nuvem de Oort. Por isso quando os objectos aí são empurrados gravitacionalmente ao passar por estrelas ou outros corpos, mudam ligeiramente de percurso. Mas é improvável que mudem para órbitas que os transportem para mais perto do Sol que Júpiter - o que significa que não produzem as brilhantes caudas cometárias.
De facto, 2006 SQ372 encontra-se para lá de Urano e provavelmente irá ser expulso do Sistema Solar, diz Becker: "Dentro de um par de centenas de milhões de anos, será espalhado para fora do Sistema Solar por Urano ou Neptuno."
Espera-se em breve a descoberta de outros objectos da nuvem de Oort interior, à medida que novos telescópios para este efeito sejam construídos. "Penso que iremos descobrir milhares de objectos como este, e com grandes quantidades de dados, podemos descobrir como é realmente a nuvem de Oort interior," disse Kaib.
A pesquisa foi apresentada Seguinda-feira numa conferência no SDSS (Sloan Digital Sky Survey), que foi usado para descobrir o objecto.
Links:
Notícias relacionadas:
SDSS (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
Centauri Dreams
Discover
Science News
Space Daily
Reuters
2006 SQ372:
SDSS
NASA
Wikipedia
Nuvem de Oort:
Wikipedia |
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A órbita de 2006 SQ372 (azul), é muito mais elongada que as órbitas de Neptuno, Plutão e Sedna (branco, verde, vermelho). A posição do Sol é marcada pelo ponto amarelo no centro. O painel do canto superior esquerdo mostra uma ampliação, com Urano, Saturno e Júpiter dentro da órbita de Neptuno.
Crédito: N. Kaib
(clique na imagem para ver versão maior)

O objecto parecido com um cometa, 2006, SQ372, muda de posição à medida que viaja na sua órbita, enquanto as posições das estrelas, muito mais longe, permanecem fixas. O SDSS (Sloan Digital Sky Survey) mostrou o objecto a 21 de Outubro (topo), 23 (meio) e 28 (baixo).
Crédito: A. Becker e SDSS
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