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STEPHEN HAWKING DEFENDE COLÓNIAS NA LUA E EM MARTE
23 de Abril de 2008
 

Numa palestra em homenagem ao 50.º aniversário da NASA, Stephen Hawking defendeu um gigantesco investimento no estabelecimento de colónias na Lua e em Marte. Argumentou que o mundo deveria alocar uma quantia dez vezes maior que o orçamento actual da NASA - ou 0,25% dos recursos financeiros mundiais - ao espaço.

O famoso físico da Universidade de Cambridge já tinha previamente falado a favor da colonização do espaço como medida de segurança contra a possibilidade da humanidade ser eliminada por catástrofes como guerras nucleares ou mudanças climáticas. Argumentou que a humanidade deveria eventualmente espalhar-se a outros sistemas solares.

Mas num discurso em Washington, EUA, em honra do 50.º aniversário da NASA em 2008, Hawking focou-se nas possibilidades a curto-prazo, apoiando os objectivos da agência espacial enviar astronautas novamente à Lua em 2020 e de enviar uma missão tripulada a Marte pouco tempo depois.

A Lua é um bom local para começar porque está "próxima e é relativamente fácil de alcançar", disse Hawking. "A Lua pode ser uma base para viajar até ao resto do Sistema Solar," acrescentou. Marte seria o "próximo alvo óbvio", com a sua abundante quantidade de água gelada e a possibilidade tantalizante que a vida possa aí ter estado presente no passado.

Alguns especialistas da matéria recentemente pediram à NASA para enviar astronautas até um asteróide vizinho da Terra, em vez da Lua como o próximo passo.

Hawking não mencionou a ideia, mas disse que qualquer local a longo-termo para uma base humana tem que ter um campo gravítico expressivo. É um ponto importante porque as missões longas em microgravidade levantam questões de saúde, como a perda de massa óssea.

Hawking também defendeu uma aceleração nos planos da NASA para as missões tripuladas até Marte, no qual um estudo da NASA sugeriu que pudesse ser alcançada no início da década de 2030. "Um objectivo de uma base na Lua em 2020 e de uma missão tripulada até Marte em 2025 reacenderia o programa espacial e daria um propósito da mesma maneira que o alvo lunar do Presidente Kennedy deu nos anos 60," disse.

O físico salientou a exploração humana do espaço, em vez da via apenas robótica, uma posição também defendida pelo prémio Nobel Steven Weinberg, entre outros.

"As missões robóticas são muito mais baratas e dão-nos mais informações científicas, mas não capturam a imaginação do público da mesma maneira, e não espalham a raça humana pelo espaço, que defendo devia ser a nossa estratégia a longo-prazo," afirma Hawking. "Se a raça humana quer prevalecer por mais outro milhão de anos, temos que corajosamente ir onde nunca fomos."

Eventualmente, disse Hawking, a humanidade deveria tentar expandir-se até planetas tipo-Terra em torno de outras estrelas.

Até agora não se conhecem planetas deste género. Mas mesmo que apenas 1% de mais ou menos 1000 estrelas até 30 anos-luz da Terra tenham um planeta do tamanho da Terra à distância ideal da sua estrela para a água líquida aí existir, isso daria 10 planetas dentro da nossa vizinhança estelar, disse.

"Não podemos imaginar visitá-los com a nossa tecnologia actual, mas deveríamos tornar a viagem interestelar um objectivo a longo-termo," afirmou. "A longo-termo, ou seja, ao longo dos próximos 200 a 500 anos."

A humanidade pode lutar contra problemas terrestres como as mudanças climáticas e ainda ter recursos de sobra para colonizar o espaço, disse.

"Mesmo que aumentássemos o orçamento internacional [da exploração espacial] vinte vezes para tornar este esforço espacial um esforço sério, seria ainda apenas uma pequena fracção do PIB," acrescentou. O PIB, ou Produto Interno Bruto, é uma medida da actividade económica de um país.

Hawking argumentou que o mundo poderia alocar 0,25% do seu PIB colectivo para dedicar à colonização espacial. "Não será o nosso futuro digno de um quarto de um percento?", perguntou.

O físico também especulou sobre as razões dos projectos do SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence) ainda não terem detectado quaisquer civilizações extraterrestres.

Salientou três possibilidades: que a vida, seja ela de qualquer tipo, é muito rara no Universo; que formas de vida simples são comuns, mas as inteligentes são raras; ou que a vida inteligente tende a autodestruir-se rapidamente.

"Pessoalmente, concordo mais com a segunda hipótese - que a vida primitiva é relativamente comum, mas que a vida inteligente é muito rara," disse. "Alguns dizem que ainda tem que ocorrer na Terra."

Links:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Associated Press
ABC News

AFP

Stephen Hawking:
Página pessoal
Wikipedia

 

O professor Stephen Hawking da Universidade de Cambridge, dá um discurso num evento que marca o 50.º aniversário da NASA, na passada segunda-feira, dia 21 de Abril, 2008, na Universidade George Washington.
Crédito: AP Photo/Lawrence Jackson
 
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