O instrumento de radar a bordo da sonda Mars Express da ESA, o MARSIS, espreitou por baixo da superfície marciana e abriu a terceira dimensão para a exploração planetária. O sucesso da técnica está a levar os cientistas a pensar em todos os outros locais no Sistema Solar onde gostariam de usar instrumentos de radar.
Por mais certeira que seja uma câmara, só pode mapear a superfície de um planeta. Para recolher informação acerca do reino subterrâneo, os cientistas planetários pensavam, no passado, que era necessário aterrar na superfície e começar a escavar. Mas isso seria bom para apenas um local num grande planeta e para os primeiros decímetros da superfície.
Para obter uma imagem global da subsuperfície precisam de usar um radar, tal como o instrumento MARSIS (Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionosphere Sounding) da Mars Express, para encontrar os melhores locais para as missões futuras aí aterrarem e começarem a escavar.
O MARSIS foi uma experiência em todos os sentidos da palavra. "Foi um salto para o desconhecido," afirmou Ali Safaeinili, co-investigador do MARSIS no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA.
Nunca antes tinha sido usado um radar em órbita de outro planeta. Por isso a equipa nem tinha a certeza de que ia resultar como planeado. A subsuperfície do planeta poderia ter sido demasiado opaca às ondas de radar ou as camadas exteriores da atmosfera marciana (ionosfera) poderiam ter distorcido o sinal até ao ponto de se tornar inútil. Felizmente, nada disto aconteceu.
"Demonstrámos que as calotes polares em Marte são na maioria água gelada, e produzimos um inventário para que agora possamos saber exactamente quanta água lá existe," diz Roberto Orosei, Vice-investigador principal do MARSIS, do IASF-INAF, em Itália.
Armada com um melhor conhecimento de como os radares planetários funcionam, a equipa do MARSIS começou a olhar para locais mais longínquos no Sistema Solar, para outros corpos que possam beneficiar com investigações de radar. Um alvo óbvio é a lua gelada de Júpiter, Europa.
Uma experiência do tipo do MARSIS em órbita de Europa pode estudar a sua crosta gelada para melhor entender as intrigantes características que vemos à superfície. Pode até ver a 'interface' na base do gelo onde se espera que comece um oceano líquido.
Na lua de Saturno, Titã, o penetrante radar pode ser usado para medir as profundidades dos lagos de hidrocarbonetos que a sonda Cassini aí detectou. Pode também estudar a estrutura por baixo dos enigmáticos geysers que a Cassini observou noutro dos satélites de Saturno, Encelado. "Os radares são muito adequados para a exploração de mundos gelados," diz Orosei.
Mas não só para luas geladas. Os asteróides e cometas podem ser minuciosamente estudados por radar, produzindo mapas tridimensionais do seu interior - talvez exactamente os dados que possamos precisar se, um dia, tivermos que afastar um do caminho da Terra.
O MARSIS serviu como um excelente exemplo da colaboração internacional entre a Europa e a América. Mais colaborações deste género podem tornar-se numa característica positiva da nossa exploração conjunta do espaço.
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ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG.com
MARSIS:
Página principal do instrumento
ESA
Mars Express:
ESA
Wikipedia
Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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