O que está fazer com que as sondas gémeas da NASA, as Pioneer, se afastem misteriosamente do seu percurso, aparentemente desafiando as leis da Física? Uma nova e rigorosa análise sugere que comuns emissões de calor podem, no mínimo, explicar parcialmente as estranhas trajectórias das sondas.
As Pioneer 10 e 11 foram lançadas no começo dos anos 70 e exploraram o Sistema Solar exterior. Mas em 1980, os cientistas das missões notaram que as sondas se tinham inesperadamente afastado do seu percurso.
Ambas as sondas tinham sido empurradas na direcção do Sol com um pouco mais de força do que o esperado e desde o seu lançamento que já se afastaram centenas de milhares de quilómetros.
Possíveis explicações para esta denominada Anomalia Pioneer incluiram problemas técnicos com o software que seguia as sondas bem como razões mais exóticas, tais como uma quebra do nosso conhecimento da gravidade.
Mas agora o veredicto é que uma parte substancial da anomalia, pelo menos para a Pioneer 11, é devida a efeitos térmicos, segundo Slava Turyshev do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. Ele descevreveu os seus achados no passado dia 13 de Abril numa reunião da Sociedade Americana de Física em St. Louis, Missouri.
Ao longo dos últimos dois anos, Turyshev e seus colegas analisaram a telemetria e os dados do seguimento das sondas em centenas de antigas bobines magnéticas e disquetes, para reconstruir a missão com um detalhe nunca antes alcançado. Também examinaram documentos de arquivo no que respeita ao seu desenho e falaram com engenheiros da missão. "É como o CSI," afirma Turyshev.
A riqueza destes dados permitiu-lhes construir detalhados modelos informáticos da Pioneer 11, incluindo um modelo térmico que mostra como o calor é distribuido pela sonda. Este revelou que a Pioneer 11 liberta mais calor em certas direcções do que em outras. Esta irregular emissão de calor é suficiente para afastar a sonda do seu percurso, correspondendo a 28% até 36% da anomalia detectada quando a Pioneer 11 se encontrava a 3750 milhões de quilómetros, ou 25 vezes a distância entre a Terra e o Sol, de nós.
Turyshev suspeita que as propriedades ópticas do exterior da sonda possam ter mudado durante a missão, possivelmente degradadas devido a poeira que pudesse ter atingido a sonda e à radiação ultravioleta do Sol.
Isto pode fazer com que a sonda radie mais calor do que o esperado. No entanto, não é claro se estas mudanças exteriores das sonda podem justificar totalmente a sua inesperada trajectória.
A equipa de Turyshev planeia testar a teoria da poeira e espera ter resultados dentro de cinco meses.
Links:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
23/11/04 - Seguindo os passos das Pioneer
26/07/05 - "Anomalia Pioneer" poderá ficar sem resolução indefinidamente
26/03/07 - Novos dados poderão resolver Anomalia Pioneer
27/06/07 - Causa exótica da 'Anomalia Pioneer' em dúvida
Anomalia Pioneer:
Modelando a Anomalia Pioneer com inércia modificada (formato PDF)
Wikipedia
Sociedade Planetária
Sondas Pioneer:
Pioneer 10 - NSSDC
Pioneer 10 - Wikipedia
Pioneer 11 - NSSDC
Pioneer 11 - Wikipedia |