Cientistas usando os rovers gémeos da NASA em Marte estão resolvendo duas possíveis origens para uma das mais importantes descobertas do Spirit, enquanto o dirigem para um local favorável de modo a sobreviver o próximo inverno Marciano.
O puzzle é saber o que produziu um pequeno pedaço de terra de sílica quase pura -- o ingrediente principal do vidro -- que o Spirit encontrou no passado mês de Maio. Pode ter vindo ou de um ambiente parecido com termas ou de um ambiente chamado "fumarolas", nos quais vapores ácidos sobem por fendas. Na Terra, ambos estes dois tipos de ambiente abundam com vida microbiana.
"Quaisquer que sejam as condições que a tenham produzido, esta concentração de sílica é provavelmente a mais importante descoberta do Spirit, devido a ter revelado um nicho habitável que existiu em Marte no passado," disse Steve Squyres da Universidade de Cornell, Ithaca, Nova Iorque, investigador principal dos instrumentos científicos dos rovers. "As provas levam-nos com um forte grau de probabilidade na direcção das condições fumarólicas, como poderemos observar na Islândia ou no Hawaii. Comparados com depósitos formados em fontes termais, sabemos menos sobre como quão bem podem os sedimentos fumarólicos preservar os fósseis microbiais. É ainda um assunto que precisa de mais estudo aqui na Terra."
Do outro lado de Marte, a Opportunity continua a recolher informação sobre os tipos de ambientes molhados no passado de Marte, além das fontes termais ou fumarolas. Está a examinar camadas expostas dentro de uma cratera, mas ainda perto do topo de um conjunto de camadas ricas em sulfatos com centenas de metros de espessura. Os cientistas lêm aqui uma história de condições que evoluíram desde o molhado até ao seco, com base em descobertas da Opportunity e observações da região por sondas em órbita.
Os rovers a energia solar estão activos em Marte desde Janeiro de 2004, cerca de 15 vezes mais que o tempo originalmente planeado. O seu terceiro inverno marciano só alcançará o mínimo de luz solar em Junho, mas a Spirit já precisa de dois dias a recolher energia para conduzir durante uma hora.
"A Spirit entrará no inverno com muito mais pó nos seus painéis solares do que em anos anteriores," disse John Callas do JPL da NASA, em Pasadena, Califórnia, gestor do projecto dos rovers marcianos. "No último inverno Marciano, não movemos a Spirit durante aproximadamente sete meses. Desta vez, o rover provavelmente ficará parado durante mais tempo e com muito menos energia disponível durante cada dia marciano."
As tempestades de areia que escureceram os céus de Marte em Junho passado encheram ambos os rovers de pó. No entanto, algumas rajadas de vento limparam os painéis da Opportunity, e esta está mais próxima do equador do que a Spirit, por isso as preocupações de sobrevivência focam-se essencialmente nesta última. A equipa seleccionou uma vertente virada para o Sol com uma inclinação de mais ou menos 25 graus na fronteira norte de uma baixa planície, de nome "Home Plate," como refúgio de inverno para a Spirit.
Ambos os rovers já produziram trabalho científico depois das tempestades de Junho. A Spirit explorou o topo de Home Plate, na vizinhança do solo rico em sílica que descobriu antes destas envolverem Marte num "nevoeiro" laranja global.
"Este material é constituído por mais de 90% de sílica," diz Squyres. "Não existem muitas maneiras de explicar uma concentração tão alta." Uma maneira é selectivamente remover a sílica das suas rochas vulcânicas nativas e concentrar este composto nos depósitos onde o Spirit o descobriu. As fontes termais podem fazer tal processo, dissolvendo a sílica a altas temperaturas e depositando-a depois à medida que a solução de água arrefece. Outra maneira é selectivamente remover quase todos os outros elementos e deixando a sílica para trás. O vapor ácido nas fumarolas pode fazer isto. Os cientistas estão ainda estudando ambas as duas possíveis origens. Uma razão pela qual Squyres favorece o argumento das fumarolas é que o solo rico em sílica de Marte tem um nível alto de titânio. Na Terra, os níveis de titânio são relativamente altos em alguns depósitos fumarólicos.
A cartografia mineral e as imagens em alta resolução a partir das sondas em órbita de Marte ajudam os cientistas a pôr as descobertas da Spirit e da Opportunity num contexto geológico mais amplo. A exploração da Opportunity na região de Meridiani já tirou vantagem das escavações naturais nas crateras de impacto para inspeccionar camadas que se prolongam por vários metros abaixo da superfície da planície regional. Estas camadas ricas em sulfatos contêm muitas provas de um ambiente molhado e ácido no passado. São uma fracção pouco superior das camadas ricas em sulfatos expostas noutros locais em Meridiani e examinadas a partir de órbita.
"Vemos evidências [de órbita] de minerais argilosos por baixo das camadas de sulfatos," disse Ray Arvidson da Universidade de Washington em St. Louis, vice-investigador principal para os intrumentos científicos dos rovers. "Indicam condições menos acídicas. O quadro geral parece ser uma mudança de um sistema hidrológico mais aberto, com chuva, para condições mais áridas com água à subsuperfície subindo à superfície e evaporando-se, deixando os sais ricos em sulfatos para trás."
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A persistência científica dos rovers marcianos (Núcleo de Astronomia do CCVAlg, 07/11/07)
Canais subterrâneos conduziam água em Marte (Núcleo de Astronomia do CCVAlg, 21/02/07)
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
Nature
Discovery Channel
Science Daily
National Geographic
Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars
Vídeo sobre a presença de água em Marte (formato Quicktime)
As descobertas em Marte
Rovers marcianos da NASA:
Página oficial
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