De acordo com cientistas do Instituto Lunar e Planetário em Houston, Texas, da Universidade da Califórnia e do Centro Espacial Johnson da NASA, Marte esteve coberto por um oceano de rocha derretida durante aproximadamente 100 milhões de anos após a formação do planeta. O trabalho foi publicado na edição de 22 de Novembro da revista Nature.
A formação do Sistema Solar pode ser datada com bastante precisão até há 4.567.000.000 anos atrás, disse Qing-Zhu Yin, professor assistente de Geologia na Universidade da Califórnia e um dos autores do artigo. O núcleo metálico de Marte formou-se uns quantos milhões de anos depois. As estimativas prévias de quanto tempo a superfície permaneceu derretida variam entre milhares de anos até algumas centenas de milhões de anos.
A persistência de um oceano de magma em Marte durante 100 milhões de anos é "surpreendentemente longa", disse Yin. Implica que nessa altura, Marte teria que ter uma atmosfera suficientemente espessa para proteger o planeta e atrasar o arrefecimento, disse.
Vinciane Debraille, cientista do Instituto Lunar e Planetário, Alan Brandon do Centro Espacial Johnson, Yin e o estudante licenciado da Universidade da Califórnia, Benjamin Jacobsen, inferiram o começo da história do passado de Marte ao estudar meteoritos que caíram na Terra.
Este tipo de meteoritos, com a designação "shergottites", documenta as actividades vulcânicas em Marte entre 470 milhões e 165 milhões de anos atrás. Estas rochas foram mais tarde atiradas pelo campo gravítico de Marte por impactos de asteróides e entregues à Terra -- uma "missão de recolha de amostras" grátis, levada a cabo pela natureza. Dos mais de 24.000 meteoritos descobertos na Terra, apenas 34 foram identificados como sendo originários de Marte.
Ao medir com precisão os rácios de isótopos diferentes de neodímio e samário, os cientistas conseguiram estimar a idade dos meteoritos, usando-os para descobrir qual a composição da crosta de Marte, milhares de milhões de anos antes.
Os planetas formam-se em três fases, disse Yin. Primeiro, a poeira assenta-se em objectos com dezenas de quilómetros de diâmetro. Na segunda fase, a gravidade transforma estes planetesimais em objectos maiores, mais ou menos do tamanho de Marte ou da Lua. Finalmente, estes pequenos planetas colidem para formar três ou quatro planetas terrestres maiores, tal como a Terra -- que tem aproximadamente 10 vezes a massa de Marte.
As gigantescas colisões nesta fase final teriam que ter libertado grandes quantidades de energia, sem mais nenhum sítio para ir senão para o novo planeta. A rocha teria-se tornado em magma derretido e os metais pesados "afundariam" para o núcleo do planeta, libertando energia adicional. O manto de silicatos derretidos eventualmente arrfeceu para formar uma crosta sólida na superfície de Marte.
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Universidade da Califórnia (comunicado de imprensa)
Universe Today
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Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Meteoritos de Marte (Wikipedia)
Meteoritos de Marte (NASA) |