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AS CHUVAS DE ESTRELAS DE AGOSTO
4 de Agosto de 2007
 

Para os astrónomos amadores do Hemisfério Norte o mês de Agosto é normalmente considerado o "mês dos meteoros", com uma das melhores chuvas de estrelas a ocorrer cerca do meio do mês. Essa chuva de estrelas constitui um espectáculo que é conhecido como "Perseidas".

Este ano prevê-se que as Perseidas venham a ser espectaculares, pois coincidem com a Lua nova, o que significa a existência de céus escuros para os meteoros poderem brilhar. No entanto, para além das Perseidas, existem outros espectáculos que se podem observar para já.

Em geral as chuvas de estrelas são mais visíveis durante a segunda metade da noite. A razão para isto prende-se com a nossa posição na Terra. Devido aos movimentos de rotação e translação da Terra ocorrerem no sentido directo (o sentido oposto ao dos ponteiros do relógio) quando observados de sobre o Pólo Norte, até à meia-noite (tempo universal) encontramos-nos nas traseiras do movimento da Terra em torno do Sol. Isso implica que para um meteoro ser visto, ele terá que mover-se no mesmo sentido mas com uma velocidade superior à da Terra. Entre a meia-noite e o meio dia, deslocamo-nos na "parte da frente" da Terra, à medida que esta se movimenta pelo espaço, o que faz com que choquemos contra os grãos de poeira que são, entre outros, restos de caudas de cometas que ficaram abandonados na região do espaço que a Terra está a atravessar.

Nestas colisões frontais, os meteoros atingem a nossa atmosfera a velocidades que variam os 12 e os 70 km/s. A sua energia cinética é rapidamente dissipada sob a forma de calor e radiação, que por ionização criam os rastos de vida curta conhecidos como estrelas cadentes.

Os meteoros de Verão são particularmente visíveis entre o meio de Junho e a terceira semana de Agosto. As chuvas de estrelas recebem o nome de acordo com o ponto de uma constelação onde se encontra o seu radiante, que é o ponto do céu de onde todos os meteoros de uma chuva de estrelas parecem aparecer. Entre hoje e o dia 15 existem 6 espectáculos menores que são (entre parentesis apresenta-se a data do máximo):

  • Delta Aquaridas do Sul, desde 12 de Julho a 19 de Agosto (28 de Julho). Ocorrem cerca de 15 por hora, ténues e com pouca velocidade.
  • Alfa Capricórnidas, de 3 de Julho a 15 de Agosto (30 de Julho). Ocorrem 4 a 5 por hora, lentos, brilhantes com algumas "bolas de fogo"..
  • Iota Aquaridas do Sul, de 25 de Julho a 15 de Agosto (4 de Agosto). Ocorrem 1 a 2 por hora, ténues e com velocidade média.
  • Delta Aquaridas do Norte, de 15 de Julho a 25 de Agosto (8 de Agosto). Ocorrem 1 a 4 por hora, ténues e com velocidade média.
  • K Cisnidas, de 3 de Agosto a 25 de Agosto (18 de Agosto). Ocorrem 1 a 3 por hora, movendo-se lentamente e por vezes brilhantes.
  • Iota Aquaridas do Norte, de 11 de Agosto a 31 de Agosto (20 de Agosto). Ocorrem 1 a 3 por hora, ténues e com velocidade média.

Para observar a única coisa necessária são os olhos e alguma paciência. Os telescópios e binóculos são perfeitamente inúteis quando se trata de meteoros rápidos.

O máximo de meteoros que um observador consegue ver depende largamente das condições do céu. Os valores apresentados acima são para céus onde a magnitude observável seja a partir de 6,5, o que significa um céu bastante escuro sem contaminação da poluição luminosa de povoações humanas.

A visibilidade também depende da altura a que se encontra o radiante. O nosso punho fechado e com o braço esticada representa cerca de 10º no céu. Se o radiante estiver 30º acima do horizonte, o número de meteoros observável será metade do indicado, se estiver 15º acima do horizonte será um terço.

Não se esqueça de reservar a noite de 12 para 13 de Agosto para observar a maior das chuvas de estrelas do Verão: as Perseidas.

As perseidas requerem menos paciência que as outras chuvas de estrelas para que se possam observar meteoros. Sob um céu escuro é possível observar um a dois meteoros por minuto.

Não deixe de tentar observar os meteoros ao longo do mês de Agosto e aproveite para ver as outras maravilhas que apenas são visíveis com binóculos ou telescópio. Um pouco por todo o país pode encontrar astrónomos a fazer "Astronomia no Verão" que não deixarão de o tentar ajudar a ver tudo o que é possível nesta altura do ano. Para saber onde observar próximo de si, consulte as informações constantes na página oficial da Astronomia no Verão, da Agência Ciência Viva em http://www.cienciaviva.pt/veraocv/astronomia/astro2007/.

Se estiver no Algarve, venha a Faro observar ao Centro Ciência Viva do Algarve.

 

Exemplo de fotografia e respectiva legenda
Uma chuva de estrelas tem origem num ponto que recebe o nome de radiante.
Neste caso trata-se de uma concepção de artista acerca de umas Leónidas sendo visível a constelação de Leão, com a "juba" no radiante.

Exemplo de fotografia e respectiva legenda
As Perseidas olhando para nordeste no dia 12 de Agosto.
 
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