Cientistas da NASA
no Centro Espacial Johnson, em Houston, descobriram materiais
orgânicos que se formaram nos locais mais recônditos do
jovem Sistema Solar, preservados num meteorito único. O estudo
foi levado a cabo no condrito carbonáceo do Lago Tagish, um raro
tipo de meteorito, rico em compostos orgânicos (carbono).
A matéria orgânica nos meteoritos é um
tópico de intenso interesse devido a este material se ter
formado no início do Sistema Solar e poder ter polvilhado a
jovem Terra com os blocos da vida. O meteorito do Lago Tagish é
especialmente valioso para este estudo porque a sua grande maioria foi
recolhida imediatamente depois da sua queda no Canadá em 2000 e
tem sido mantido a baixas temperaturas, minimizando a
contaminação terrestre. A colecção e
conservação das amostras do meteorito preservaram-no num
estado prístino.
Num artigo publicado na edição de 1 de Dezembro do jornal
Science, a equipa, liderada pelo cientista da NASA Keiko
Nakamura-Messenger, relata que o meteorito do Lago Tagish contém
inúmeros glóbulos ocos orgânicos.
"Objectos similares têm sido registados a partir de vários
meteoritos desde os anos 60. Alguns cientistas acreditam que estes
foram organismos espaciais, mas outros pensam que eram apenas
contaminações terrestres," disse Nakamura-Messenger. Os
mesmos glóbulos orgânicos em forma de bolha apareceram
neste meteorito. "Mas no passado, não havia maneira de
determinar com exactidão de onde estes glóbulos
orgânicos vieram porque eram simplesmente pequenos demais. Medem
apenas 0,00254 milímetros em tamanho ou até menos.
Em 2005, dois novos e poderosos instrumentos de nano-tecnologia foram
instalados no laboratório dos cientistas no Centro Espacial
Johnson. Descobriram os glóbulos orgânicos em fatias
ultrafinas do meteorito com um novo microscópio de
electrões. Este providenciou informações
detalhadas acerca da estrutura e composição
química dos glóbulos. A sua composição
isotópica foi depois analisada com um novo espectómetro
de massa, a Câmara NanoSIMS, o primeiro instrumento do seu
género capaz de fazer este tipo de medições em
objectos tão pequenos.
Descobriu-se que os glóbulos orgânicos nos meteoritos do
Lago Tagish têm composições isotópicas de
hidrogénio e nitrogénio muito incomuns, provando que os
glóbulos não vieram da Terra.
"Os rácios isotópicos nestes glóbulos mostram que
se formaram a temperaturas de cerca de -260º C, perto do zero
absoluto," disse Scott Messenger, cientista da NASA e co-autor do
artigo. "Os glóbulos orgânicos foram criados mais
provavelmente na fria nuvem molecular que deu origem ao nosso Sistema
Solar, ou nos limites exteriores do jovem Sistema Solar."
O tipo de meteorito nos quais os glóbulos foram descobertos
é também tão frágil que geralmente se
vaporiza durante a sua entrada na atmosfera da Terra, espalhando os
seus componentes orgânicos ao longo de uma grande área.
"Se, como suspeitamos, este tipo de meteorito tem caído na Terra
durante toda a sua história, então a Terra pode ter sido
polvilhada por estes glóbulos orgânicos à mesma
altura que a vida se estaria a formar," disse Mike Zolensky,
mineralogista cósmico da NASA e co-autor do artigo.
A origem da vida é um dos problemas fundamentais ainda por
resolver nas ciências naturais. Alguns biólogos pensam que
a forma de bolha é o primeiro passo para o desenvolvimeno de
vida biótica. "Podemos estar um passo mais perto de descobrir de
onde os nossos antepassados vieram," disse Nakamura-Messenger.
Links:
Notícias relacionadas:
Scientific American
Spotlighting News
Geotimes
Playfuls.com
Earthtimes.org
The Register
Meteoritos:
Wikipedia
Como identificar um meteorito |
|

Meteorito do Lago Tagish.
Crédito: UWO/Universidade de Calgary
(clique na imagem para ver versão maior) |