Um recentemente espiado disco de detritos em torno de uma distante estrela morta é provavelmente o que resta de um asteróide que foi vaporizado aquando da morte da estrela, dizem os cientistas.
A descoberta, detalhada na edição de dia 22 de Dezembro da revista Science, poderá ser um sinal do que irá acontecer ao nosso próprio Sistema Solar daqui a uns milhares de milhões de anos. Devido ao asteróide destruído ter estado ligado graviticamente por um ou mais planetas, o achado também evidencia que os sistemas planetários se podem formar em torno de estrelas massivas.
Enquanto analisava o espectro de algumas centenas de anãs brancas, o astrónomo Boris Gänsicke da Universidade de Warwick, descobriu provas de uma fria nuvem de poeira em torno da anã branca G29-38 (ou SDSS1228+1040). As anãs brancas são os restos estelares da morte de uma estrela relativamente pequena, tal como o Sol, que gastou o seu combustível e libertou as suas camadas superiores para o espaço.
G29-38 "tem umas linhas de emissão de cálcio muitas estranhas no fim vermelho do espectro, que as anãs brancas não deveriam ter, e até, que nem a maioria das estrelas deveria ter," disse Gänsicke.
A assinatura química da luz da anã branca sugere que tem uma espécie de cintura rotacional à sua volta, disse.
"É a primeira vez que podemos realmente provar que existe um disco de detritos à volta de uma anã branca," disse Gänsicke.
Ele e seus colegas acreditam que o disco foi criado por um asteróide que foi perturbado pela força das marés, puxado para fora da sua órbita por um grande objecto. Pensam que o cenário mais provável é que um ou mais planetas perturbaram a órbita do planeta, fazendo-o aproximar-se da estrela. A gravidade da estrela eventualmente despedaçou-o, e o seu calor levou os detritos a formarem um anel de gás em rotação. Tal disco teria um curto período de vida, porque o material cai para a anã branca, de acordo com Gänsicke, por isso deve ter-se formado há pouco tempo.
Isto significa que é provável que um ou mais planetas originalmente em torno da estrela possam ter sobrevivido a inchada fase de gigante vermelha, de modo a poder perturbar o asteróide, disse Gänsicke.
Esta estrela e outros sistemas planetários possíveis providenciam um modelo do que o nosso Sistema Solar poderá parecer daqui a uns milhares de milhões de anos.
"É semelhante ao que o nosso próprio Sistema Solar parecerá quando o Sol terminar a sua vida," disse Gänsicke.
Quando o Sol se tornar numa gigante vermelha, crescerá até algo entre a órbita actual da Terra e Marte.
"O que acontecerá quando o Sol se tornar numa gigante vermelha, é que provavelmente destruirá Mercúrio e Vénus, e até a Terra, mas Marte, a cintura de asteróides, Júpiter Saturno e todos os outros planetas irão sobreviver, movendo-se um pouco mais para longe."
Eventualmente, o Sol tornar-se-ia numa anã branca com asteróides e os planetas restantes continuariam a orbitá-la. É possível que Júpiter possa perturbar a órbita de um asteróide, fazendo-o caír para o Sol, e formando o mesmo disco que Gänsicke descobriu, afirmou.
G29-38 tem agora cerca de 75% da massa do Sol, mas teria originalmente quatro ou cinco massas solares. Os astrónomos não sabiam ao certo se os planetas se poderiam formar ou não em torno de estrelas massivas, dado que não vivem muito tempo.
A descoberta deste disco em torno da anã branca serve de boa prova para a existência de planetas, de acordo com Gänsicke. "Embora não tenhamos descoberto um planeta directamente, temos provas indirectas bastante fortes da existência de um planeta," disse.
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Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
Universe Today
Space Ref
New Scientist
National Geographic
Anãs brancas:
Wikipedia
NASA |