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BURACO NEGRO EXPLODE EM CÂMARA
29 de Novembro de 2006
 

O observatório de raios-gama da ESA, Integral, avistou um raro tipo de explosão de raios-gama. A vasta erupção de energia permitiu aos astrónomos localizar um possível buraco negro na nossa Galáxia.

A explosão foi descoberta a 17 de Setembro de 2006 pela equipa no Centro de Dados Científicos do Integral (ISDC), em Versoix, Suiça. Dentro do ISDC, os astrónomos constantemente estudam os dados enviados pelo observatório porque sabem que o céu nos comprimentos de onda gama pode ser um local de constante mudança.

"O Centro Galáctico é uma das mais excitantes regiões para a Astronomia porque podem existir tantas potenciais fontes de raios-gama," diz Roland Walter, um astrónomo do ISDC, e principal autor destes resultados.

Para reflectir a importância desta região, o Integral está agora a correr um programa-chave, no qual quase quatro semanas do seu tempo de observação foram dedicadas ao estudo do Centro Galáctico. Isto permitiu aos astrónomos compreender as características gama do Centro Galáctico e dos seus objectos celestes, melhor que nunca.

Foi durante uma destas primeiras observações que os astrónomos observaram a explosão. Um evento inesperado deste género é conhecido como 'um alvo de oportunidade'. Ao início, não souberam que tipo de erupção tinham detectado. Algumas explosões de raios-gama duram apenas um curto período de tempo e por isso imediatamente alertaram outros observatórios noutras partes do mundo da posição da explosão, permitindo com que também a observassem. Felizmente, o Integral tem a capacidade de discernir a posição de tal brilhante evento com uma incrível precisão.

Neste caso, a explosão continuou a subir em brilho durante alguns dias antes de começar a declinar gradualmente ao longo de várias semanas. A maneira como o brilho de uma explosão sobe e desce é conhecida pelos astrónomos como uma curva de luz. "Foi apenas passado uma semana que pudémos ver a forma da curva de luz e nos apercebemos quão raro evento tínhamos observado," disse Walter.

Comparando a forma da curva de luz com outras em registo, revelou que esta foi uma erupção que se pensa ter vindo de um sistema binário, no qual um dos componentes é uma estrela como o nosso Sol, ao passo que a outra é um buraco negro.

Nestes sistemas, a gravidade do buraco negro está a despadaçar a estrela tipo-Sol. À medida que a condenada estrela orbita o buraco negro, espalha o seu gás num disco, conhecido como um disco de acreção, rodeando o buraco negro.

Ocasionalmente, este disco de acreção torna-se instável e colapsa para o buraco negro, causando o tipo de explosão que o Integral testemunhou. Os astrónomos não têm ainda a certeza do porquê do disco de acreção ter colapsado desta maneira, mas uma coisa é certa: quando colapsa, liberta milhares de vezes mais energia do que em outras alturas.

Porque tais activos binários estrela-buraco-negro pensa-se que sejam raros na Galáxia, os astrónomos esperam que o Integral observe um desde eventos apenas uma vez a cada vários anos. Isto torna cada um uma ferramenta preciosa para os astrónomos estudarem.

Graças às rápidas reacções dos astrónomos do ISDC, também foi observado com outros satélites e observatórios pelo mundo fora. O Observatório de raios-X XMM-Newton da ESA, os telescópios espaciais Chandra e Swift da NASA, e outros telescópios terrestres, capturaram a elusiva radiação deste cataclísmico evento. Agora, os astrónomos estão arduamente trabalhando, tentanto compreender o que tudo significa.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Universe Today
Space Daily
Physorg.com
MSNBC

Buracos negros:
Wikipedia

 


A animação consiste de uma sequência de duas imagens tiradas pelo Integral. Numa, a seta aponta para a nova explosão, enquanto a outra é do mesmo campo, anterior ao evento.
Crédito: ESA/ISDC/IBIS/R. Walter


Impressão de artista de uma nova de raios-X. O compacto objecto à direita - uma estrela de neutrões ou um buraco negro - 'engole' o gás de uma estrela companheira. O gás gira num disco em torno do objecto compacto a uma grande velocidade (perto da velocidade da luz) e emite raios-X.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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